quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Biodiversidade e a teoria da Geração Espontânea

Muitos aprendem, desde a escola primária, a ridicularizar a noção de "geração espontânea". 




O cientista francês Louis Pasteur (além de outros, antes e depois), com suas experiências, enterrou definitivamente a ideia de que mofo, bolor, larvas de moscas e mosquitos ect. surgiram do nada. Por toda parte havia seres microscópicos, invisíveis ao olho humano, como bactérias, fungos, esporos, vírus, protozoários etc. Muitos conhecem detalhes da morte e do enterro desse conceito "infantil e absurdo" da geração espontânea. A humanidade passou a crer sem ver. As bactérias estão por toda parte. Ninguém as vê, mas acredita. E paga um preço alto quando negligencia as regras básicas de higiene. A vida nunca surge do nada. Sempre existem ovos, células, esporos, sementes etc. Se a ideia da geração espontânea parece retrógrada no século XXI, estava longe de sê-lo no século XVI.

Os jesuítas e os leigos portugueses vão desenvolvê-la, aplicando-a ao Brasil. Poucos imaginam o salto qualitativo, a ruptura de paradigmas, que representou a afirmação do conceito da geração espontânea. A vida pode surgir do mineral a todo momento. Na natureza, a criação está ocorrendo, inclusive a partir da matéria inanimada, o tempo todo! Há que se parar para pensar, quase cinco séculos depois, no que representava essa afirmação extraordinária. Em parte, a biodiversidade e a natureza brasileira e a grande honestidade intelectual dos jesuítas deram decisiva contribuição para isso.



A grande Biodiversidade do Brasil era um fato. Não podia ser negado. As teorias explicativas das origens das espécies, desde a Antiguidade, podem ser grupadas em duas perspectivas: as evolucionistas e as criacionistas. As teorias criacionistas não aceitam a possibilidade de evolução das espécies. Criadas um só vez, as espécies mantém-se imutáveis e constantes (fixismo) até sua eventual extinção.


Para os jesuítas, e para a tradição católica, em cada ser vivo, em cada obra da natureza, havia a presença do divino, não como panteísmo, mas como visão de um Deus que é origem, meio e destino (fim) de toda a criação.



A utilização do conceito de geração espontânea foi um grande avanço em relação ao fixismo e ao criacionismo absoluto, doutrinas baseadas no Gênesis bíblico, segundo o qual o mundo foi criado por Deus a partir do nada, em seis dias, e todos os seres vivos tiveram criação independente e se mantinham biologicamente imutáveis. Mas, confrontados à biodiversidade brasileira, os jesuítas iriam mais longe, criando vínculos de metamorfose, transformação e até evolução, entre as diversas espécies animais. Insetos podiam transformar-se em outros insetos e até em pássaros ou mamíferos! "Coisas lindas de se ver".

Fonte: O descobrimento da Biodiversidade, A Ecologia de índios, jesuítas e leigos no século XVI

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